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A adolescência sempre foi uma fase de conflitos e contradições. Período intenso, onde tudo é sentido como se fosse o último dia do mundo. Mas o momento, o contexto, constroem a nuance do dilema. Atualmente, contamos com um aparato de informações que nos auxiliam, talvez, mais que o necessário para direcionarmos a educação de nossos filhos.


Com poucas semanas de gestação sabemos o sexo do bebê, agendamos o nascimento, escolhemos a melhor escola e monitoramos todos os passos de nossas crianças. Isso constrói uma infância quase perfeita, só que não...

O romance acaba quando a adolescência chega e conta tudo ao contrário. Criamos príncipes e princesas em um país sem reinado, onde tudo é fisiologicamente caótico.


Nos deparamos com seres que até então eram dóceis, lindos e que tornaram-se distantes e quase esquisitos. Começam a decair no rendimento escolar ou viram verdadeiras máquinas de estudo obstinadas a chegar, não se sabe onde e, insistem na tarefa de nos provar que erramos em tudo.


A verdade é isso que mais tememos. Temos tanto medo de ter errado com nossos filhos que não conseguimos trabalhar com seus erros, seus fracassos e imperfeições. Sim, olhamos para seus problemas e enxergamos nossos erros, apenas.

Acreditamos tanto que eram os seres mais especiais do MUNDO que esquecemos de reservar espaço para serem humanos e, com isso, contar-lhes que a vida nem sempre dá certo; que fracassos somam com sucessos e fazem parte da caminhada. Nossos adolescentes ficaram especiais demais para não dar certo. Então hoje, sofremos em vê-los em meio a crises de ansiedade à véspera de uma prova, em regimes absurdos por não terem um corpo perfeito ou fazendo uso de medicações que lhes auxiliem no ranking da vida.


Será que pensam que se não forem muito bons não haverá lugar no mundo para eles?

Bem, sabemos que o mercado de trabalho é competitivo e queremos o melhor para nossos filhos.

Mas, será que o melhor é ser o melhor? Ou será melhor ser ele mesmo? Talvez assim conquiste seu lugar ao sol.


Depois que crescemos, amadurecemos e buscamos o autoconhecimento, nada mais queremos do que nos encontrar e saber quem somos...


Somos seres imperfeitos e teremos que encontrar a felicidade desta forma. Se não por nós, por nossos filhos e, então, dizer-lhes simplesmente que em nossos corações sempre haverá um lugar para eles.